Em 1983, a Ford do Brasil apresentou o Escort, nas versões básica, L, GL, Ghia em 2 e 4 portas e o XR3. A versão XR3 tornou-se um ícone de esportividade para uma geração e foi nosso único conversível de série naquela década. O desenho simples e contemporâneo, as linhas do semifastback agradavam. Quanto ao acabamento, o padrão Ford era o diferencial, qualquer que fosse a opção, e o motor era o CHT de 1.6 litros e câmbio de 4 velocidades, com opção entre gasolina e álcool para todos os modelos e no esportivo XR3 apenas álcool.


De todos os modelos Escort, um se tornou objeto de desejo – o Escort conversível. O seu processo de fabricação era caro, mas o produto final era de fato atraente. A Ford fazia a carroceria do carro fechada, remetia-a para a Karmann Ghia onde era transformada, num trabalho bem feito, em conversível; retornava então para a fábrica para ser acabado e comercializado.

O conversível equipado com capota elétrica (acionamento eletro-hidráulico) a partir de 1989, trazia vigia traseiro em vidro, em vez do tradicional plástico flexível transparente, e era capaz de transportar com relativo conforto dois passageiros no banco de trás. Possuía um porta-malas bastante razoável, 291 litros, enquanto que no modelo fechado a capacidade do porta-malas era de 305 litros.
No Brasil foram lançadas apenas as gerações conhecidas como MK3, MK4, MK5, MK5,5 e MK7.
O Ford Escort foi um automóvel criado pela seção da Ford Motor Company Anglo-Germânica.
No início da década de 1980, com o advento do “carro mundial”, a ordem era compartilhar projetos e componentes em âmbito global para reduzir custos. Assim, enquanto o Del Rey, para atender ao segmento luxo, derivava do Corcel II a Ford começava no Brasil a concepção de um carro médio-pequeno para preencher uma lacuna abaixo deles: O Escort, que havia sido redesenhado na Europa em 1980. Embora inédito aqui, no Velho Continente o Escort (nome que significa acompanhante ou escolta em inglês) já chegava à terceira geração desde o modelo inicial de 1968, sendo por isso identificado como MK3. Mark ou MK é como os ingleses designam as gerações reestilizadas dos automóveis e, como no Reino Unido sempre foi um fortíssimo mercado para a Ford, essa forma de distinguir as fases de sua historia atravessou o Atlântico e é usada aqui, também por seus admiradores.
O Escort brasileiro foi pioneiro em várias tecnologias, como os amortecedores pressurizados (1986), os de controle eletrônico (Série Formula 1991), o “check-control”, os tanques em polipropileno (1987), o lançamento simultâneo de carros com 2 e 4 portas e a introdução no Brasil do seu modelo XR3 a onda dos “pocket-rockets”, ou pequenos carros com visual esportivo e desempenho melhor do que os demais modelos. O esportivo XR3 passou a ser um dos automóveis nacionais mais cobiçados. A decoração esportiva, composta por faixas e aerofólios, eram o grande atrativo. Quanto a motorização trazia carburador corpo duplo, o coletor, mais esportivo, e seu combustível era apenas o álcool, configuração essa que lhe proporcionava um melhor desempenho.
Em 1984, foi eleito pela revista AutoEsporte o Carro do Ano.

No ano de 1985, surge a versão Laser, ele era um Escort XR3 com pequenos detalhes que o diferenciavam dos demais modelos. Seu interior igual do XR3 (a diferença era o filete dos bancos, no XR3 era vermelho e no Laser o filete era azul). Era disponibilizado exclusivamente na cor branca, com rodas aro 14” de aço pintadas de preto, seu desenho tinha um circulo maior e outro menor intercalados, cobertas pelas calotas brancas importadas diretamente da Alemanha, caríssimas, custavam mais do que as rodas de liga e eram difíceis de se encontrar até na rede de concessionárias. Nas laterais traziam um par de filetes (um vermelho e um azul), que antes do final da lateral tinham o nome “LASER” também em azul e vermelho intercalado e o emblema “ESCORT XR3” na tampa do porta malas era azul. Vinha com a inscrição E.XR3-LAS na frente.

O esportivo XR3 também foi pioneiro na reintrodução (1985) de um conversível “de fábrica”, versão essa que o Brasil não tinha desde o fim da produção do VW/Karmann Ghia, em 1970.

A versão MK4 começou a ser fabricada em 1986 como modelo 1987 e pode ser considerada uma re-estilização sobre o modelo anterior. Essa mesma geração recebeu em 1989 o motor 1.8 da Volkswagen, da linha AP, o que melhorou muito o desempenho das versões GL (como opcional) Ghia e XR3.

Nesta oportunidade, houve o lançamanto da Série Especial SuperSport conhecida por Benetton, cujos exemplares vinham na cor branca com os frisos externos e nos bancos na cor verde, assim como o emblema traseiro, e foram os primeiros a vir com os pára-choques de plástico na cor do veículo, assim como os retrovisores e corpo dos faróis de milha.

Em 1989, surgia também uma versão especial do Escort L, era a L Série Especial. Era um Escort L com acabamento em tecido xadrez e detalhes como vidros verdes climatizados, pára-brisa laminado, desembaçador traseiro, volante do XR3, teto-solar, contorno lateral dos vidros em grafite, frisos vermelhos nos pára-choques e laterais, calotas, rádio toca-fitas, relógio digital e painel com conta-giros.
No ano de 1991 foi lançado o modelo LX, basicamente um meio termo entre as versões GL e Ghia, usava o motor AE 1.6, era o mesmo motor CHT usado até 1989, com novo nome de “batismo”.

Nesse mesmo ano (1991), foi lançado o Verona um sedã três-volumes de duas portas com base no Escort. A Volkswagen passava a vender o Apollo, uma variação do Verona, uma das derivações criadas pela Autolatina.
A Versão MK5 foi produzida em 1992 como modelo 1993. Os esportivos XR3 e XR3 conversível receberam o motor 2.0 da VW, da linha AP e, como opcional a referida motorização também foi disponibilizada para o modelo Ghia.


No final de 1993, início de 1994 foi fabricada uma Série Especial do XR3 Cabriolet, chamado “75 Special Edition” ou “75SE” (Edição comemorativa de 75 anos da Ford), de cor preta e champagne caracterizando coloração degradê, equipada com bancos Recaro, retrovisores elétricos, capota elétrica, regulagem de altura do volante e do banco do motorista, além de CD player com equalizador digital e módulo amplificador (instalado pela primeira vez em um carro brasileiro de série no ano de 1993). Este modelo comemorativo teve apenas 175 unidades produzidas, uma para cada revendedora da Ford.
No segundo semestre de 1996 a versão conhecida como MK5,5 passou a vir da Argentina apenas com o capô redesenhado e com a grade oval inserida no mesmo.
A última versão MK7 do Escort produzida no Brasil, ficou conhecida popularmente como Escort Zetec (nome do motor que o equipava), iniciou sua produção em 1996 como modelo 1997. Os modelos MK7 tinham os modernos motores Zetec 1.8 16v de 115 cv sendo capazes de fazer de 0 a 100 em 9,6 segundos e atingir 198 Km/h de velocidade máxima e o Zetec Rocam 1.6 8v de 95 cv, com menor desempenho, mas capaz de fazer média de 12 Km/h na cidade e 16,25 Km/h na estrada (Fonte: Ford Co.).
Conclusão, estas foram as versões do Ford Escort lançados no Brasil que conquistaram gerações e deixaram ótimas recordações, principalmente no que se refere aos seus charmosos conversíveis.
Abraço a todos, e até a próxima…
Cláudio Lugon.
Fontes de consulta: Livros, enciclopédias, periódicos, revistas e artigos publicados na Internet.