ESPAÇO CLÁUDIO LUGON – BRASÍLIA – DF

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          A marca Chevrolet há tempos possuía excelente reputação e o sucesso do Opala era absoluto, assim a reboque da boa aceitação do Opala no mercado, a marca lançou o Chevette, cujo o nome havia sido cogitado Opalim, devido ao sucesso do Opala – e cuja sonoridade sugere “Opala pequeno”, contudo a opção derradeira foi Chevette, em referência a “Mini-Chevrolet”.

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          Em abril de 1973, foi apresentado no Mercado nacional, tendo como número do projeto “909”, batizado pela GM como projeto do desenvolvimento de seu primeiro veículo de passageiro de pequeno porte, inicialmente, um sedan de duas portas, e mais tarde de quatro portas, que era feito principalmente para exportação, do qual poucos exemplares foram vendidos no Brasil. Posteriormente, tiveram as versões hatchback e station wagon e a picape.

          Detalhe curioso foi que a produção do Chevette no Brasil ocorreu seis meses antes que na Alemanha, inverso do que habitualmente ocorria, pois nós brasileiros já havíamos assistido inúmeros lançamentos de modelos no Brasil que, estavam por ser substituídos em seus países de origem ou já haviam saído de linha por lá. Em diversos casos era reaproveitado o ferramental de um fracasso no exterior.

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           O desenho do Chevette era moderno, com linhas suaves e um perfil agressivo marcado pelos vincos da dianteira. Além da dirigibilidade superior, possuía porta-malas surpreendentemente espaçoso, bom conforto para até duas pessoas, o acompanhante do banco dianteiro e o motorista, para quem o único inconveniente era o volante de direção inclinado para a esquerda, forçando a posição torta.

          O interior era simples, sem muitos enfeites, mas trazia o básico: quadro de instrumento com velocímetro e hodômetro total, além de termômetro de água e indicador de combustível. E, opcionalmente era oferecido relógio analógico no centro do painel.

          O Chevette não tinha quebra-vento; no lugar havia um sistema de ventilação forçada para o interior, onde o ar podia ser direcionado através de duas saídas no centro do painel. Os bancos possuíam, opcionalmente regulagem para o encosto, tornando a posição de guiar típica de um esportivo: mais baixa e com comandos próximos ao motorista. O volante possuía dois raios e a alavanca de câmbio inclinada saía do assoalho.

          Quanto a motorização, veio equipado com bloco e cabeçote de ferro fundido e fluxo cruzado, responsável por uma melhor mistura ar-combustível, com 1.398 cm³ desenvolvia 68 cavalos de potência a 5.800 rpm, com torque de 9,8 kgfm logo a 3.200 rpm.

          Com tração traseira, câmbio de quatro marchas e um bom acerto de suspensão, o Chevette era bom de curva. A suspensão dianteira era independente por molas helicoidais com amortecedores telescópicos de dupla ação e barra estabilizadora, na traseira trazia molas helicoidais e braços tensores com barra estabilizadora e estabilizadores laterais junto aos amortecedores telescópicos de dupla ação.

          O torque era bom e a velocidade final, em torno dos 145 Km/h. Detalhe interessante era a posição do tanque de combustível de 45 litros, logo atrás do encosto do banco traseiro, em posição inclinada. O bocal para o abastecimento ficava na coluna traseira direita.

          Foi inovador em itens de segurança, como pisca-alerta e coluna de direção não penetrante, ainda não exigidos pelo Contran na época, chave de ignição, cuja cabeça era de borracha, não oferecendo resistência em caso de choque, e trazia duplo circuito de freio (um para a frente, outro para a traseira). A suspensão era bem calibrada, o carro era estável, difícil de desgarrar, mas o eixo rígido traseiro sacolejava em curvas com piso irregular, transmitindo certa sensação de insegurança, além das molas muito duras afetarem o conforto.

          Outra inovação era o eixo rígido com tubo de torque. Melhor dizendo, todo eixo desse tipo tende a “enrolar”, ou girar contra o sentido das rodas sob aceleração forte. Uma das maneiras de controlar a tendência é prolongar a carcaça do diferencial para a frente e articulá-la em algum ponto adiante. Parte do cardã passa por dentro do tubo. É por essa razão que, ao arrancar, o Chevette levantava a traseira em vez de afundar.

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          As linhas 1973 a 1977 permaneceram praticamente inalteradas, exceto por acréscimo de opções que não apresentavam diferenças mecânicas significativas.

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          Em 1975, foi lançado o Chevette GP (Grand Prix), em comemoração ao Grande Prêmio Brasil de Fórmula 1, uma versão esportiva que recebeu decoração com vistosas faixas pretas na frente, atrás e nas laterais, rodas pneus esportivos e faróis de neblina (opcionais). Complementavam o conjunto estético o retrovisor externo tipo concha, a ponteira de escapamento cromada, as rodas negras exclusivas de tala 6 polegadas e os sobrearos de aço inox. Trazia, ainda, grade protetores dos pára-choques, limpadores de pára-brisa e bordas das janelas eram pintadas de preto. E, internamente, o volante era esportivo.

          O motor era o mesmo 1.4 de 72 cavalos, ou seja, tinha 3 cavalos a mais que o motor do Chevette básico. Porém com à taxa de compressão, aumentada de 7,8:1 para 8,5:1.

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          Em 1976, a pequena modificação foi na traseira, com piscas alertas vermelhos. Foi apresentada uma versão SL (Super Luxo) com requintes de acabamento, molduras cromadas nas lanternas e jogo de frisos.

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          Nesse mesmo ano (1976), foi lançada uma série especial denominada de País Tropical, disponibilizada nas cores bege, cinza (prata) e marrom. Trazia faixa lateral e traseira dupla e fina, bancos reclináveis com encosto de cabeça, interior monocromático, rodas de 6 polegadas, com ventilação redonda (as mesmas da versão GP).

          Interessante é que as rodas eram pintadas contrastando com a cor da carroceria do carro, assim no exemplar bege as rodas eram marrom, no cinza (prata) as rodas eram grafitte e no marrom, as rodas eram bege e, em todos a faixa acompanhava a cor das rodas. Tinha, ainda, rádio AM/FM e toca-fitas estéreo da marca Sharp e o retrovisor externo esportivo tipo concha (o mesmo do esportivo GP).

          Tive a oportunidade de ter um exemplar deste bem próximo a mim, quando, e nos tempos de ainda menino, meu Pai deu de presente para minha Mãe um exemplar, zero/km, dessa série, na cor cinza (prata) e o conjunto era harmônico, dava ao carro um toque de esportividade.

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          Na foto a minha querida Mãe, a traseira do Chevette série País Tropical e ao fundo o Grande Hotel Barreiro, em Araxá/MG.

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          No ano de 1977, foi lançada a nova versão esportiva, agora, denominada de GP II, incorporaram nova calibragem do carburador para melhorar o consumo. Internamente, para toda a linha, o painel de instrumento foi redesenhado, a versão esportiva (GP II) veio equipada com conta-giros, termômetro, manômetro de óleo, amperímetro e ganhou os bancos altos.

          Caros Leitores, aqui faremos uma pausa, tendo em vista que esta preciosidade de carro esteve presente no cenário nacional brasileiro por 21 anos, e com uma evolução histórica bastante diversificada, tornando o texto grandioso, tal qual o carro…

          Abraço a todos, e até a próxima…

          Cláudio Lugon.

          Fontes de consulta: Livros, enciclopédias, periódicos, revistas e artigos publicados na Internet.

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06 2013

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  1. Henrique Moraes #
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    Prezado amigo Cláudio Lugon,
    Mais uma vez embarco no túnel do tempo e me lembro de que em 1978 meu pai comprou zero um chevette SL e, imediatamente, fizemos uma viagem para o sul do País. Engraçado que eu não lembraria que foi em 78, se não fosse pela lembrança do chevette. Um grande carro! Os modelos GP eram maravilhosos. E aquela famosa arrancada levantando a traseira? Quem não lembra?
    Parabéns! Viajamos nestes textos.
    Forte abraço.
    HENRIQUE MORAES

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    Meu irmão, excelente matéria sobre este grande GM, sem sombras de dúvidas seu registro de memória ( Família teve um na época do lançamento) bem como de fotográfia vem confirmar que a série especial do Chevette País Tropical teve mais cores do que as duas anunciadas no matérial publicitário em seu lançamento. Parabéns pelos belos, dedicados e corretos artigos!!!

  3. Renata Lugon Bittencourt Ribeiro #
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    Prezado Tio Cláudio,
    Matéria muito bem escrita e esclarecedora.
    E ainda com direito a participação especial da minha avó risos.
    Parabéns pelo belo artigo.
    Beijos
    Renata

  4. Múcio Oliveira #
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    Peraí, Lugon! Se o Chevette faz 40 anos de lançamento e nos lembramos dessa época da GM, será que estamos com mais que isso???? rsrsrsrs

    Parabéns! Vc teve um. O Flávio Japonês tb! O dele precisava trocou a manopla de câmbio mais de três vezes. Lembra?

    Meu primeiro contato com o Chevette foi com um 1979. Era de um Tio bem legal que morava em Belo Horizonte. Naquela época eu estraguei o diferencial por causa do tranco. Aprendi a usar a embreagem direito, só depois disso… rs
    Abraços, meu amigo!

  5. Flávio Uyeda #
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    Como sempre, uma ótima matéria, cheia de informações, curiosidades e bem ilustrada, eu estou no meu nono Chevette, a maioria deles você participou da história, o mais antigo que tive foi um 78, estou ansioso pela continuidade da matéria.
    Um grande abraço.

  6. Carlos Augusto Morais #
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    Claudio, eu tenho um Chevette País Tropical bege copacabana todo original e com placa preta e nunca soube da existência da cor prata. Se você ler com atenção a propaganda de época vai reparar que eles sugerem 4 cores: bege com marrom, marrom com bege, verde com cinza e azul com prata. Mas não fica claro se eram estas 4 cores ou se existiam outras combinações mas o de sua mãe é uma prova irrefutável de que existiu nesta cor. Você teria mais fotos dele? Achei muito interessante…



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